Arte x Filosofia - Rodrigo Hésed


Paul CézanneThe Smoker, 1895-1900. 91x72 cm.
St. Petersburg, Hermitage.

A Filosofia pode penetrar nos conceitos da arte, mas não pode alcançá-la de todo. Por mais que tantos tentem, mesmo eu, a arte manifesta, tal como a vida o é, não pode ser descoberta na sua pureza, já que esta está bem além de nós e o que absorvemos dela são apenas fragmentos de um grande mosaico.

Não foram (e são!) poucas as tentativas de penetrar ainda mais nessa questão atravessando o prisma da Filosofia. Em diversas viagens, sob diversos enfoques, seja em Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Wagner, Deleuze, Guattari e outros vários, se procura destrinchar o que vem a ser arte para os "amantes da sabedoria", mas em dizer o que ela implica no saber e nas concepções de homem não garante o alcance da arte pura, tal qual esta se manifesta. Como seria possível? Afinal, sobre qual panorama apoiamos nosso tripé para vislumbrar a tão conhecida mas tão indescritível arte?

Arte é criação? Em Nietzsche, descobrimos que criar é libertar o conhecimento para poder afirmar sua potência criadora. Assim, o homem cria para si mesmo; segundo o próprio homem. Se ele faz algo, julga que criou, mas o que precisamente foi criado? Ou melhor, a partir de que, exatamente, este homem criou algo? O que pode ser considerado como novo?

A roda dos primitivos foi fruto de algo mais do que o desejo da própria arte, mas de uma necessidade. Para que fazer fogo ou vangloriar-se dele sem alguma necessidade? A criação teria vínculos com o orgulho? Com o olhar fixado na história da humanidade, percebe-se que esse tipo de orgulho é visível destacadamente no homem moderno ou, mais ainda, no pós-moderno; mais precisa e indistintamente, no homem que sucede as revoluções industriais e assiste passivo à onda de niilismo que o encobre até a contemporaneidade. O homem que perdeu sentido de vida, não pode criar na arte pura, mas orgulha-se indevidamente com o que possa ter feito de novo, cria pela mera (e pobre) necessidade de se destacar no mundo assaz competitivo. Assim, criar é satisfazer-se, é pulsão.

A arte, então, suscita a criação, não a cria, mas proporciona, delibera energia e conspira. O mesmo Nietzsche afirmava que a vida é uma bela arte, e que tanto ela quanto a Filosofia não são diferentes enquanto invenção e afirmação da vida. Todavia, a arte gera saber, gera necessidade, gera desejo, então, a Filosofia enquanto saber não a alcança, mas pode ser concebida, ela própria, como parte (ou efeito) dessa arte. Arte que, in essentia, não pode ser discutida no todo, não obstante seus múltiplos pedaços.



 Manifestado por Rodrigo Hésed às 20h28
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