As Palavras-Efeito
Não bastam só palavras para entender o que deveríamos ou, ao menos, poderíamos entender. Palavras apenas palavras não são suficientes para nos dizer o que devemos nos dar conta. Talvez tudo possa parecer fácil de ser falado, mas nem tudo é passível de ser compreendido no âmago do que foi dito. As palavras choram nas lágrimas enunciadas, mas nem sempre molham como deveriam; elas, por elas mesmas, não bastam. Não bastam porque são diversos os significados atribuídos a cada uma delas, os quais, sendo múltiplos, não atingem de forma específica ou peculiar o lado subjetivo da pessoa que escuta; não bastam porque nem sempre se assimila no que ela quer ser assimilada naquele momento único; as palavras não bastam enquanto não houverem ouvidos prontos para ouví-las de fato.
Não reparemos somente no conjunto de letras e espaços que contém as tantas palavras soltas ao vento, balançadas língua afora e que soa, soa forte até, mas toca somente quando tal soado atinge muito além dos ouvidos. Quando uma palavra toca, desemboca no cais da alma e lá permanece à espera de outra palavra viajante; é difícil vê-la ir embora. Mesmo que aos poucos surjam outras e mais outras, aquela que uma vez tocou-de-fato permanece. Palavras sempre existirão soltas por aí, mas algumas podem ser entendidas como marcantes e dessas não se esquece facilmente.
Uma palavra que toca não é palavra, meramente palavra, é dialeticamente insight, o que não faz dela mera palavra de efeito(s), mas palavra-efeito. Em seu plural, são o insight mal ou pouco calculado do próprio rumo de dar-se conta de algo que pode ocorrer consigo mesmo. São palavras que surgem muitas vezes em ocasiões por demais inesperadas, mas que nos marcam em densidade e nos faz levar adiante seus conceitos mais profundos. São palavras que não carregam em si mesmas o tom forte das palavras de ordem, mas marcam a ponto de significar algo novo, dado o seu conteúdo por vezes sutil, mas expressivo. Das palavras-efeitos não se desgarra com facilidade e estas permanecem à procura de outras que a completem e atribuam mais sentido à existência de quem as escuta, ainda que tal fenômeno seja esporádico para muitos. São reforços àqueles que mesmo sem querer se ancoram à procura de um logos sublime para si, deveras abertos aos efeitos das palavras-efeitos.
Manifestado por Rodrigo Hésed às 22h21
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Estou de volta
Estou de volta... não porque a vida tenha parado para mim; indo em seu contrário, ela se encheu em mim e sempre mais me leva a buscá-la com naturalidade. Nesse tempo viajei, escrevi, li, reli o que valia à pena ser relido e suspirei de alegria toda vez que sentia que a vida não pára de me absorver. Conheci gente nova, troquei palavras e gestos salutares e passeei no físico e na imaginação. Estou de volta para traduzir o vivido nesse meio-tempo, para manifestar também a vós o que me surge no íntimo. Estou de volta para aqueles que acharam que morri só por não terem o contato suficiente comigo. Estou de volta, portanto... no que precisarem, estou aqui.
Manifestado por Rodrigo Hésed às 10h01
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