Para quando eu morrer...

Que luto poderia ser o que desejo para mim senão aquele que simbolize o mais fielmente o que me marca na minha vida? A vida que tenho não me marca pelo peso da morte enfadonha, aquela mesma que é temida por tantos e tantas; a vida que tenho é simbolizada pelas constantes passagens simbólicas da dor ao amor em tantos e diversos episódios até aqui já vividos. É uma vida, portanto, que procura ser fiel ao que existe de belo, novo, moderno e viável para os meus desejos demasiado humanos; uma vida que procura o semblante de Deus nos tantos vultos espalhados próximos a mim. É verdade que por vezes me considero distante do que penso e posso ser, distante dos tantos e belos ideais expressados nas minhas idéias escritas e faladas, mas não me culpo por isso, procuro fazer o que está ao meu alcance e expandir os meus limites tentando melhorar sempre, muito embora eu saiba que tem sempre algo que ainda me falta. A falta, porém, não me aflige, pois sem ela eu não poderia prosseguir nesse propósito de adaptar-me sempre mais às minhas novas exigências. Daí porque clamo por festa no meu luto. Quero ver cores e cantos; se houverem prantos que sejam de saudades. Quero festa pelas minhas descobertas, pelos meus aprendizados, pelas minhas conquistas... quero festa com os meus conhecidos que cultivei ao longo dos anos dentro de mim, quero festa mesmo entre aqueles a quem não consigo (talvez ainda...) dar a devida atenção. Quero festa para marcar a minha passagem desta minha vida limitada a uma vida sem confins, eterna e inalienável. Quando eu morrer, quero ver festa da terra ao céu!
Manifestado por Rodrigo Hésed às 05h39
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