Provocações

A imprensa imparcial                                        .:

A imprensa continua dando o seu o espetáculo de interesses, através de suas claras posições políticas e comerciais. Enquanto provocam a população, - com manchetes marcantes como as alardeadas após a greve do lixo em São Paulo e como a luta dos políticos de oposição ao Governo Federal para a instalação da "CPI do Apagão Aéreo" - cabe aos leitores mais críticos a (nem sempre fácil) tarefa de decifrar a orientação implícita no conteúdo lido. Alguns meios de comunicação, todavia, deixam suas posições claramente delineadas nas entrelinhas dos textos, destacando suas preferências. Esse tipo de imprensa pode ser perigosa, sobremaneira, no que tange aos assuntos de ordem política, pois tenderiam a guiar o pensamento e a reflexão do leitor para um(uns) foco(s) específico(s) do tema abordado, retirando (ou dificultando) do leitor espaços mais amplos de reflexão. Considerando que refletir pressupõe um ato de pensar, surge a indagação: como será que os meios de comunicação nos instigam a pensar? Sentimo-nos livres para fazer tal reflexão ou somos, de alguma forma, orientados a seguir o fluxo do pensamento sugerido na matéria lida?

Diante disso, qual o papel da imprensa, afinal?



 Manifestado por Rodrigo Hésed às 15h06
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O jornalismo investigativo                                  .:

É comum ouvirmos (ou lermos) referências a um certo "jornalismo investigativo", que, supõe-se, procura esclarecer ou esmiuçar certas informações até que se conheça mais a fundo o assunto procurado. Mesmo quando tudo ainda não passa de "boato" é possível investigar as origens e os substratos de tal boato com o intuito de saber até que ponto tal boato seria relevante para as pessoas em geral. Assim sendo, uma frase mal falada ou uma palavra equivocada em relação ao contexto de seu enunciado pode ser o mote para uma investigação. Para além disso, porém, é tão notória a ansiedade - por vezes voraz - de alguns jornalistas ávidos por "furos" instantâneos que qualquer enunciado percebido está sujeito a ser alardeado aos quatro cantos por seus meios mais diversos sem que, para isso, tenham sido feitas as investigações necessárias. Ou seja, muitas vezes divulga-se o mote (ou o que ainda pode ser mero boato) para se criar um jornalismo investigativo a todo custo, com pressões ideológicas diversas. O cúmulo disso pode ser o risco de "criação ou elucidação de fatos" para serem investigados, como se supõe ter acontecido no caso da maleta de dinheiro - apreendida durante o processo eleitoral de 2006 - da "máfia das ambulâncias", em que alguns jornalistas pareciam ter sido previamente avisados do que poderia acontecer no hotel em que ocorreu o flagrante. Como poderiam saber do que iria acontecer?

Assim, considerando esses e outros casos conhecidos, o que pode ser chamado de jornalismo investigativo? Seria jornalismo investigativo combinar ações prévias para "criar" uma manchete especial?



 Manifestado por Rodrigo Hésed às 15h06
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O fenômeno dos blogs e seus efeitos na imprensa             .:

Ultimamente tem crescido de forma impressionante o número de blogs - sites pessoais que funcionam como diários virtuais - de jornalistas e outras personalidades conhecidas, nos quais deixam claras as suas preferências e seus posicionamentos pessoais. Poderia-se supor, com isso, que haveria uma tendência de maior abertura da imprensa e de seu diálogo consigo mesma, numa "imprensa crítica da imprensa". No entanto, o maior acesso dos internautas à grande rede ocorre por meio de portais, que, quando indicam blogs, continuam a seguir sua lógica de pensamento editorial. Ou seja, continuam a selecionar ideologicamente os blogs que preferem indicar. Um exemplo disso, é o portal UOL, que indica vários blogs, mas no que corresponde à categoria "análise política" apenas dois aparecem indicados. Curiosamente, dois blogs que, por seu conteúdo, deixam claras as suas posições e tendências, que em política são tidas como de "direita".

Como entender a preferência de alguns grandes portais por certos blogs?
Por que o portal UOL, por exemplo, mantém indicações para blogs com tendências notoriamente "direitistas" e não indicam espaços de blogs de personalidades da "esquerda"?
Por que preferir indicações tendenciosas como o "Blog do Josias" e o "Blog do Fernando Rodrigues", na categoria "análise política"? Que análise política seria essa?

Poderíamos refletir bastante acerca da imprensa que nos cerca, mas eu gostaria de sugerir que os jornalistas ousassem mais: (1) ousassem a tirar da "masmorra" muitos de seus colegas (em seus redutos editoriais) e (2) ousassem a proporcionar espaços de notícias com reflexão mais ampla e abrangente (sem tomar partido e sem ser por demais específico em seu foco de análise, de modo a sugerir outras possíveis reflexões).

:.     E você, o que acha? Gostaria de sugerir algo aos jornalistas da nossa imprensa?     .:



 Manifestado por Rodrigo Hésed às 10h24
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Um blog onde poesia, cultura e sociedade se encontram. Editado por Rodrigo Hésed

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